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A história da cachaça se confunde com a própria história do Brasil. Pode-se dizer hoje, com certeza, que a cachaça, como bebida, foi uma invenção brasileira. A palavra, de origem espanhola, segundo Câmara Cascudo (cachaza) tem seu registro literário mais antigo no poeta português Sá de Miranda (1481-1558). Segundo o jesuíta André João Antonil (em 1711), cachaça era a “espuma grossa que se tira das caldeiras na primeira fervura do caldo de cana durante o processo de evaporação” no trabalho dos engenhos de cana-de-açúcar no Brasil durante o ciclo do açúcar no Brasil que durou 200 anos.
O primeiro engenho de que se tem notícia – o famoso engenho de São Jorge dos Erasmos – foi instalado por volta de 1532 na Capitania de São Vicente, pelos açorianos, ao lado de Santos no litoral paulista, podendo suas ruínas serem visitadas até os dias de hoje. No trabalho de extração do caldo para a produção do açúcar, esse subproduto sempre presente – primeiro como bebida de escravos – tornouse o principal destilado de consumo e exportação para a África, chamada pelos portugueses de “aguardente da terra” e conhecida nos séculos seguintes como aguardente, pinga, caninha, parati e mais um sem-número de apelidos carinhosos para a Cachaça do Brasil.
A cana era moída nos engenhos, por tração humana ou animal, rodas d’água ou a vapor, – e o seu sumo fermentado era destilado nos alambiques de barro ou cobre, num processo artesanal em tudo semelhante a produção do whisky na Escócia e Irlanda.
A partir de 1930 com a chegada dos gigantescos destiladores chamados “de coluna” a cachaça perde muito de seu caráter artesanal só retomando mais intensivamente esse perfil a partir de 1990 com a liderança da produção artesanal de Minas Gerais. Apartir de 1997 com a criação do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça por um grupo de produtores, e depois com o apoio da Abrabe, fortaleceu-se a valorização da imagem da cachaça como um produto genuinamente brasileiro, com características históricas, culturais e econômicas significativas para o povo brasileiro.
Todos os grandes acontecimentos nacionais foram homenageados pela cachaça brasileira. Uma parte expressiva da história e da memória brasileira se faz presente no acervo de cultura visual e design vernacular da produção gráfica da cachaça do Brasil. O trabalho de entidades como a APACERJ (no Rio) e a AMPAQ (em Minas) tem ajudado a elevar a qualidade da cachaça para níveis internacionais, com a oferta de cachaças superiores em bares e restaurantes de alto prestígio em todo o Brasil.
São Paulo é o maior produtor de caninha industrial (de coluna) e Minas Gerais o maior em cachaça artesanal (de alambique). Com uma produção total girando em torno de 1 bilhão e 500 milhões de litros, ao ano, o consumo da cachaça está em terceiro lugar em destilados no mundo. Em todo o Brasil existem perto de 30 mil produtores de cachaça artesanal.
Nos últimos anos, o grande diferencial da cachaça de alambique tem sido o processo de envelhecimento que utiliza, além dos barris de carvalho, cada vez mais as madeiras brasileiras, tanto as mais neutras como ipê, jequitibá e amendoim, como uma infinidade de outras – umburana, bálsamo, sassafrás, jatobá e araucária – que conferem aroma e sabores diversos e especiais. A diversidade de sabores reflete a nossa própria diversidade cultural: Experimente a Cachaça do Brasil Um pouco da alma do povo brasileiro! |
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